Qualificação profissional e combate à violência pautam evento da Comissão da Mulher em Paulista

Em 30/11/2017
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Políticas públicas de qualificação profissional para mulheres foram discutidas em audiência pública realizada essa quinta em Paulista, no Grande Recife,  pela Comissão Itinerante da Mulher da Alepe em conjunto com a Prefeitura local. No evento, mulheres que realizaram cursos de formação disponibilizados pela município relataram como a geração autônoma de renda ajuda a mudar suas vidas.

Tereza Malaquias fez treinamento para produzir itens de moda praia e de cama, mesa e banho. Ela conta que, depois dos 50 anos, o emprego é muito difícil para as mulheres. Para Tereza, participar do curso foi uma experiência que proporcionou mais autoestima, e a oportunidade de não ficar apenas cuidando de casa e da família. A secretária executiva de Políticas para as Mulheres do município, Bianca Pinho Alves, explicou o funcionamento de programas como o “Lugar de Mulher é na Qualificação Profissional”, que já capacitou 1175 mulheres no município.

A líder comunitária Rita da Paz trabalha como voluntária coordenando a produção de vassouras por meio da reciclagem de garrafas pet, dentro do programa de qualificação da Prefeitura: “As mulheres precisam se qualificar para que elas possam sair da opressão e da dependência. A gente sabe que muitas vezes a mulher é criticada porque ela vive uma questão de vulnerabilidade, de opressão, de humilhação e ela não tem independência financeira para mudar esse quadro.” Por conta dessas políticas, a Prefeitura do Paulista foi agraciada com o Prefeitura Amiga das Mulheres de 2016.

Também há opções de capacitação para postos que não costumam ser associados às mulheres, como auxiliar de pedreiro, assentadora de cerâmica, pintora imobiliária, eletricista predial e eletricista  de automóveis. A formação das mulheres contra a violência também foi destacada  na audiência.

A deputada Simone Santana, do PSB, presidente da Comissão, fez uma apresentação sobre como o ciclo da violência pode ser quebrado: “Que se ela tiver uma forma de se sustentar, uma forma de ter uma renda própria, ela vai se empoderar e vai ter muito mais condições de dizer não a esse tipo de agressão, e buscar novos caminhos pra vida”. A parlamentar destacou a importância de programas que divulguem a Lei Maria da Penha nas escolas. Ela ressaltou que além da dependência financeira, as mulheres precisam superar a dependência psicológica para escapar do ciclo de abusos.